“Precisamos Orar?” | “Do We need pray?” [Tiago Zortea]

Desde o início da nossa vida cristã lemos e ouvimos nossos irmãos recitar o versículo de I Tessalonicenses 5.17 “Orai sem cessar”. Concordo! Acredito que precisamos mesmo viver essa ordenança das escrituras. Entretanto, alguns caminhos podem levar alguém a utilizar-se deste versículo como estratégia para manutenção de certas coisas ou situações, como acontece com outros versículos.

Vários cristãos e músicos caem neste erro. Algumas canções dizem “levante e use a sua fé porque Jesus contigo é, e nele você pode tudo” , outros pastores e ministros em pregações dizem “não se preocupe! faça o que quiser, você pode todas as coisas naquele que te fortalece, esqueceu?”. E o que essas pessoas realmente esquecem é de ler o versículo anterior de Filipenses 4.13 (isto é, o 12) que demonstra as possibilidades que um cristão pode viver, apontando importância principal à sua alma, à sua vida espiritual, reduzindo o valor de qualquer situação externa, pois independente desta há alguém que nos fortalece, Jesus Cristo!

Vivi há algum tempo atrás uma situação no mínimo cômica. Eis que surgiram vários pequenos problemas de relacionamento dentro da igreja, problemas estes que se não fossem tratados poderiam ganhar dimensões maiores, e consequentemente maiores estragos. Veio, então, uma irmã grandemente envolvida nessas questões informar-me sobre o que estava acontecendo e ao final de sua fala exclamou: “precisamos orar!”. Naquele dia fiquei pensando nessa expressão. Orar? Certo, precisamos orar, mas não podemos ficar orando para que Deus resolva o problema que nós mesmos criamos, quando nós deveriamos fazer isto. Não proponho aqui pararmos de orar; ressalto isto no primeiro parágrafo. Entretanto, precisamos ser responsáveis pelas conseqüências de nossa ação e dar conta das questões que nós mesmos construimos, que nós mesmos armamos, que nós mesmos escolhemos! Pergunto: O restou para Adão e Eva após comerem do fruto? Quais as conseqüências produzidas por Ananias e Safira ao mentirem para a igreja? Qual o produto da ação traidora do Rei Davi? Em que resultou a traição de Judas? Enfim, vários são os exemplos.

Então, por que orar suplicando a Deus que resolva um problema que eu mesmo criei? O que Deus tem a ver com isso? Precisamos parar de pensar que Deus está à nossa disposição 24h por dia para solucionar todas as besteiras que produzimos no decorrer de nossas vidas. Deus nos fez seres livres, e se ele interferisse tão constantemente em nossas vidas que tipo de liberdade seria esta? C. S. Lewis, brilhantemente em Mere Christianity, diz:

O que estamos querendo dizer com “Deus nos ajude”? O que estamos querendo dizer é que Deus coloque algo de si em nós mesmos. É assim que nós pensamos: ele nos emprestaria algo de seus poderes racionais e colocaria um pouco do seu amor em nós e essa sería a forma com que amaríamos uns aos outros.

A grande questão é se realmente queremos que “Deus nos ajude”. Geralmente o orgulho ocupa um lugar tão grande, que esse “vamos orar”, “que Deus nos ajude” não passa de mera sustentação de uma santidade aparente ou então uma fuga do que está acontecendo, ou mesmo uma transmissão de responsabilidades de nós para Deus.

O que nossa “geração adoradora” ainda não apredeu é negar-se, é seguir o chamado de Jesus quando (em Lucas 9.23) disse “quem quiser vir após mim, negue-se a si mesmo [...]“. E então retomo uma ilustre interrogação do grande homem de Deus, Pr. Paulo Cézar (Grupo Logos) na Canção “Servos” (Álbum “Conteúdo”): “Olhando nossas vidas hoje em dia pergunto a mim mesmo: até que ponto eu tomaria a cruz e seguiria Aquele a quem chamo de Senhor?”

Neste sentido, quando em situações como estas colocadas neste texto me disserem “vamos orar” ou “vamos pedir a ajuda de Deus” eu direi: “Sim! Vamos orar, pedir a ajuda de Deus, mas vamos também nergar-mos a nós mesmos, vamos resolver o que nós mesmos produzimos, vamos nos destituir do orgulho, vamos nos arrepender, vamos perdoar, vamos deixar que Deus nos ajude começando pelo nosso quebrantamento! Vamos agora!”.

~ por musicaeadoracao em 18 Janeiro, 2008.

Uma resposta to ““Precisamos Orar?” | “Do We need pray?” [Tiago Zortea]”

  1. Oi, Tiago,

    adicionei seu blog lá no Beadisciple.

    Olha, quanto a essa questão de orar: eu sou sempre a favor! Tem um autor excelente chamado Richard Foster que diz em seu livro Celebração da Disciplina que a oração começa não com o falar, mas com o ouvir a Deus. Se começássemos nossas orações assim, seria excelente. Ouvindo o Espírito Santo, uma vez que não sabemos orar como convém.

    Eu amo a oração e o ministério da oração, mas sei que, assim como todos os outros ministérios da Igreja, pode se tornar algo nefasto. Mas não precisa.

    Podemos tudo Naquele que nos fortalece, inclusive negarmos a nós mesmos, tomarmos nossa cruz e seguirmos a ele. Em Cristo, por Cristo e através de Cristo, cumpriremos tudo que o Pai planejou para nós. Não há nada em nós mesmos que possa resolver nossos problemas, pequenos ou grandes, só o Senhor é capaz disso. E Ele é fiel!

    Fique na Paz!

    Priscilla.

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