“Negligenciando o sacrifício na cruz” | “Neglecting the sacrifice in the cross” [Tiago Zortea]
Negligenciando o sacrifício na cruz
Tiago C. Zortea
Há uns dez anos atrás, Marquinhos Gomes lançou a música “Rei da Glória” no álbum “Tudo Posso”, e lembro-me de um trecho que dizia “para ser abençoado não precisa pagar promessas, Jesus Cristo já morreu por nós e a vitória já é certa”. Grande verdade. Até então, eu reduzia a letra desta música às pessoas que, trancafiadas em centenários dogmas religisos, pagavam promessas feitas após receber uma bênção. Assim, quando via em um noticiário ou até mesmo presenciava pessoas andando quilômetros de joelhos, subindo escadas já com as pernas sujas de sangue deixando rastros ao chão, logo me vinha à memória este trecho da música de Marquinhos.
Curiosamente, passados esses tempos todos, retornou a mim este exato trecho, contudo, a situação que o trouxe se diferenciava em sua topografia das cenas que estavam anteriormente relacionadas a esta música, mas sua função, sua essência era a mesma. Uma amiga pediu para que eu orasse por seu pai pois ele havia feito jejum e oração durante algumas semanas e estava em “pele-e-osso”, internado no hospital, fraco e desidratado. Naquele momento, fiquei a me perguntar por que aquele homem havia feito isto e então sua filha me disse que era por um pedido muito específico. E pensei: “Tudo bem! Mas onde está o significado do sacrifício de Cristo?”. Antes mesmo de morrer, Jesus disse em Mateus 21.22:
“E, tudo o que pedirdes na oração, crendo, o recebereis”.
Tudo bem se Jesus dissesse “E, tudo o pedirdes na oração, andando dois quilômetros de joelhos, ou deixando de comer por um mês, ou pagando cem reais à igreja, ou dando tudo o que tem aos pobres (enfim…), o recebereis”, mas não foi isto o que ele disse! O que Jesus queria era que acreditássemos! Acreditássemos em seu poder e creditássemos a Ele a perfeição de sua vontade para nós. O que acontece é que geralmente não estamos dispostos a confiar que a vontade do nosso Deus é a melhor coisa para nós e assim escolhemos alguma coisa para “pagar” em troca daquilo que desejamos. Assim, teremos um suposto “pretexto”, um “motivo” para “determinar ao Senhor a nossa vitória”, ou então criaremos uma situação em que observadores dirão “vejam só, não há como Deus negar esta bênção ao nosso irmão, dado o tamanho de seu sacrifício”. É criar uma situação de merecimento.
Muito sinceramente em minha avaliação, entendo isto como negligenciar o sacrifício do Senhor Jesus, esquecer que “pelas suas feridas fomos sarados”. Eu até arriscaria que tudo isto é uma forma que querer “comprar” Deus, negociar com Ele.
“Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito.” (João 15 : 7)
Creio que se estivermos em Cristo e suas palavras em nós não precisaremos construir nenhuma situação de “negociação” com Deus. Confiar nele basta, e Ele sabe o que queremos, o que necessitamos.
Precisamos estar atentos a isso. Não podemos simplesmente esquecer o sofrimento de Jesus, de que levou sobre si nossas dores (Isaías 53.5).

Tiago, o jejum é uma disciplina espiritual maravilhosa, mas realmente não é um instrumento de barganha com Deus. Uma pena que na maioria das vezes a gente o use desta meneira.
Abraços.
Caro Tiago; cá estou novamente, lendo seu texto; meu coração se encheu enquanto lia; É triste dizer, mas, quando se trata de buscar uma benção, até recebê-la, nós confiamos, desconfiando de o Pai nos concederá. Um abraço!