Entrevista com Michael W. Smith | Interview with Michael W. Smith
Entrevista com Michael W. Smith

Há pessoas que se tornam unanimidade. Michael Whitaker Smith é uma delas. Aos 47 anos, ele é conhecido em países de todo o mundo como o maior ícone da música cristã internacional. Foram três Grammy Awards, 34 Dove Awards, 18 álbuns gravados, mais de dez milhões de discos vendidos e dez livros publicados.
A história do filho de Paul e Bárbara Smith começou em Kenova, no oeste do estado americano da Virgínia, onde ele nasceu no dia 7 de outubro de 1957. Foi lá também que estudou piano e deu os primeiros passos de um grande músico. Quando jovem, trocou a Marshal University pela cidade de Nashville, no Tennessee, para onde se mudou com um único sonho: tornar-se um grande compositor da música cristã. Não demorou muito para chamar a atenção, e pouco tempo depois já estava tocando para Amy Grant, consagrada cantora americana, que lhe abriu grandes portas.
Em 1983, a Reunin Records lançava seu primeiro disco solo, Michael W. Smith Project. Ele compôs todas as músicas, e sua esposa Deborah escreveu as letras. Seus mais de 20 anos de carreira lhe permitiram participar de grandes momentos da história do cristianismo moderno como as Cruzadas de Billy Graham, de quem é amigo pessoal. Ele é líder em sua igreja, empresário de jovens artistas, cantor, compositor e escritor. Apesar disso, disse certa vez que quer ser lembrado como um homem de Deus que amou sua esposa e seus cinco filhos – Ryan, Whitney, Tyler, Emily e Anna.
Smith concedeu uma entrevista à Revista Enfoque Gospel em sua última turnê no Brasil.
ENFOQUE – Como foi o início de sua carreira e ministério?
SMITH – Cheguei a Nashville na primavera de 1978. Eu queria ser um letrista. Então, me encontrei com Amy Grant e comecei a tocar piano nas suas turnês. Foi uma época legal aquela. Tudo começou a dar certo para mim.
ENFOQUE – Como foi tocar com Amy Grant?
SMITH – Foram dias muito legais. A indústria da música estava apenas começando a se desenvolver e nós tocávamos para casas cheias todas as noites. Eu não estaria dando esta entrevista se não fosse Amy.
ENFOQUE – Como você avalia as versões de suas canções para outros idiomas?
SMITH – É sempre uma honra enorme alguém querer cantar alguma das canções da gente. É maravilhoso ver essas canções correndo o mundo. É uma coisa de Deus, e fico muito feliz por ver isso acontecendo.
ENFOQUE - Como você lida com o sucesso, com o dinheiro e com o poder?
SMITH – Simplesmente considero que nenhuma dessas coisas é importante. Nenhuma dessas coisas dura. O que é eterno é a sua vida, não as vidas dos outros. O que realmente importa é amar e honrar a Deus.
ENFOQUE - Quando as críticas vêm, o que você faz?
SMITH – Eu procuro manter meu foco naquilo pelo qual sou responsável. Então, procuro fazer o melhor e ser o melhor que posso diante de Deus.
ENFOQUE – Como você vê a relação entre adoração e marketing religioso?
SMITH – Para mim, as coisas são claras: adoração não é música ou estilo de música. A adoração sequer acontece no culto de domingo. Adoração é um estilo de vida. É conexão direta entre o indivíduo e o Pai.
ENFOQUE – Como sente o tempo passar por sua vida? Como enfrenta a chegada dos anos e as mudanças que o tempo acarreta na vida da gente?
SMITH – Maravilha. Eu não sinto que estou ficando velho. Tenho cinco garotos em casa e eles me mantêm jovem. Meus dias são cheios. Tenho minha família, minha igreja, minha música e tantas outras coisas… Acho que ando tão ocupado que não sinto que estou ficando velho.
ENFOQUE – Como é vir ao Brasil? Acha que vai encontrar um ambiente diferente agora?
SMITH – Estive no Brasil a última vez há dez anos. Estou informado de que há uma Igreja viva no Brasil. Estou ansioso por estar com meus irmãos e minhas irmãs de fé em seu belo país.
ENFOQUE – Depois da turnê pelo Brasil, você vai para a Europa. Como sua agenda internacional é montada e como são fixadas as prioridades?
SMITH – Uma viagem internacional é mesmo uma loucura. Eu terei estado na Jamaica, Coréia, Austrália, Nova Zelândia e Canadá antes do Brasil e da Europa. Acho que o tempo para todas essas coisas é o tempo de Deus. O que está acontecendo ao redor do mundo é muito maior que eu. Não há dúvida: essa é uma grande experiência.
ENFOQUE – Você criou um clube para adolescentes chamado Rocketown. Que estratégias tem usado para esse trabalho e o que você pretende com ele?
SMITH – Eu tenho um grande interesse pelos adolescentes. Em Franklin, Tennessee, onde eu vivo, notei garotos perambulando pelas ruas. Tive, então, vontade de arranjar um lugar para eles. Não um lugar para onde pudessem ir, mas um lugar onde eles pudessem entrar em contato com pessoas que pudessem cuidar deles. Temos visto um monte de garotos encontrando Cristo por meio do trabalho desenvolvido em Rocketown.
ENFOQUE – E a sua vida familiar? Quais são os maiores desafios de um marido e pai presente, especialmente para quem tem cinco filhos?
SMITH - Meu desafio como marido e pai são os mesmos de qualquer pessoa. A cada dia eu peço força ao Senhor para essa área da minha vida.
ENFOQUE – Você faz as melodias e sua esposa escreve as letras? Como acontecem as parcerias?
SMITH – Geralmente, escrevo minha própria música, mas peço a pessoas próximas para me ajudar nas letras. Quase sempre escrevo parte da letra e então me assento com um amigo, como Wes King, Wayne Kirkpatrick e, às vezes, minha esposa Debbie, para me ajudar nessas letras.
ENFOQUE – Na sua opinião o que o tornou um cantor de referência, com excelência, qualidade e sucesso?
SMITH - Não há nada de extraordinário em mim que me trouxe algum grau de sucesso. Tenho consciência constante de que sou uma pessoa comum.
ENFOQUE – Tendo escrito dez livros, como é a sua experiência como escritor, especialmente em relação ao público jovem?
SMITH – Escrever livros é uma outra forma de conversar com os meninos. É por isso que os livros alcançam um grupo tão grande de jovens.
ENFOQUE – Você escreveu um livro sobre cozinha, junto com sua mãe. Você sabe cozinhar?
SMITH – Não sou grande coisa na cozinha, mas conheço uma pessoa que é: minha mãe. Na verdade, cresci comendo a melhor comida do mundo. Minha mãe é uma profissional, e eu cresci saboreando o que há de melhor em termos de alimento.
ENFOQUE – Você tem 18 álbuns na bagagem. Há alguma diferença entre eles?
SMITH – Bem, cada um reflete uma parte diferente da minha jornada espiritual. Um traço comum aos meus projetos é que cada um contém canções que são inspiradas por letras que eu recebo das pessoas.
ENFOQUE – O que não pode faltar num músico?
SMITH – Uma coisa que sempre me desafia a ser melhor é me cercar de músicos que são tão bons, que eu fico animado.
ENFOQUE – O que acha da música brasileira?
SMITH – Conheço pouca coisa por experiência pessoal, mas sei que a Igreja está viva, que a música está viva. Eu sei que a música é muito boa.
ENFOQUE – Você tem algum cantor brasileiro favorito?
SMITH – Espero encontrar alguns dos artistas que vão tocar antes de mim no Brasil, gente como Kleber Lucas e Aline Barros, André Valadão, Soraia Moraes, dentre outros.
(Colaboração: Virgínia Rodrigues
Tradução: Israel Belo Azevedo)
|
|
|
Créditos: Enfoque Gospel

Deixe uma resposta